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Folha Online — Redação

Segundo artigo publicado no jornal The Guardian, 2009 foi um ano marcado por discussões literárias, pelo recorde de vendas de Dan Brown e pela publicação de livros de autores “além-túmulo” como Mark Twain e Vladimir Nabokov. O veículo também citou o “e-reader” como um grande acontecimento do ano.

Dentre as brigas no mundo da literatura, uma das mais feias foi a da filha de Albert Uderzo, o criador do Asterix, acusou próprio pai de negar os valores com os quais ela cresceu como “independência, fraternidade e resistência”, depois que ele autorizou que a série continuasse depois de sua morte. E ele respondeu, dizendo que suas acusações eram indignas e que representavam um insulto para os fãs de Asterix.

Outra “alfinetada” citada pelo The Guardian veio de Stephen King. Ele afirmou que a autora da série Crepúsculo, Stephenie Meyer, não escreve bem, e que essa é principal diferença entre ela e J.K. Rowling.

Com relação aos escritores “além-túmulo”, a reportagem cita as histórias de Mark Twain que foram encontradas e que serão lançadas, dois novos manuscritos de Roberto Bolaño e o romance inacabado de David Foster Wallace que também será publicado. Outro fato que também noticiado durante o ano foi que a Playboy comprou os direitos da obra O original de Laura, o romance inacabado de Nabokov que ele queria que fosse destruído.

A reportagem também cita os leitores eletrônicos de livros. Em janeiro, a Sony lançou seu primeiro e-reader e vendeu quase 30 mil aparelhos. Os downloads de obras no site da empresa passaram a marca de 75 mil.

Folha Online — Redação

Com mais de 400 obras escritas, o russo Isaac Asimov (1920-1992) é conhecido como um dos mestres da ficção científica ao lado de nomes como Robert A. Heinlein e Arthur C. Clarke. Sua obra mais famosa é Fundação, na qual Hari Seldon, criador de uma ciência revolucionária capaz de prever o futuro da raça humana, antevê a chegada de uma era de trevas. O personagem pode minimizar o que está por vir. Ele tem um plano, que deverá ser executado através dos séculos pelos membros da chamada Fundação.

A Trilogia da Fundação é composta também pelos exemplares Fundação e Império e Segunda Fundação. Por meio deles, Asimov conta a história da conquista da galáxia pela humanidade e seus problemas políticos em um futuro de centenas de milhões de anos à frente.

Histórias de robôs reúnem os melhores contos e novelas publicados sobre robôs e computadores. O autor mostra como o futuro de ontem, vulgo nosso presente, foi previsto pelos escritores de ficção científica. O filme Eu, robô (2004), estrelado por Will Smith, foi baseado em obra homônima de Asimov também sobre robôs, composta em 1950.

Em 1966, Asimov escreveu o roteiro de Viagem fantástica. Dirigido por Richard Fleischer, o filme mostra o interior do corpo humano como nunca antes visto no cinema. O longa O homem bicentenário (1999) é um outro exemplo. Ele é baseado em conto homônimo de Asimov, escrito em 1976.

Em 1981, um asteróide foi batizado como “5020 Asimov”, em homenagem ao escritor russo. Asimov era presidente da American Humanist Association (Associação Humanista Americana).

Folha Online — Jamille Menezes

Quem se lembra dos inseparáveis amigos Miguel, Cadú, Magri, Crânio e Chumbinho? Pois os fãs da Turma dos Karas não perdem por esperar. Em breve os amigos estarão de volta em mais uma grande aventura. A novidade foi anunciada pelo escritor Pedro Bandeira, que, em entrevista exclusiva para a Livraria da Folha, falou sobre a criação de seus personagens, a importância do incentivo à leitura e também sobre seu novo projeto, dando continuidade à saga do Karas.

Ele começou sua carreira de autor infantojuvenil escrevendo para revistas. Hoje, com 67 anos, o jornalista e escritor Pedro Bandeira comemora 37 anos dedicados às histórias infantis, dos quais 26 publicando livros. Em dezembro deste ano, uma de suas histórias de maior sucesso entre as crianças, O fantástico mistério de Feiurinha (Editora Moderna, 2009), chegará aos cinemas, em uma produção de Xuxa Meneghel, tendo nada menos do que Sasha, interpretando a personagem de Feiurinha.

No entanto, sua obra de maior sucesso e campeã de vendas (foram cerca de 2,5 milhões de livros vendidos) é mesmo A droga da obediência (Moderna, 2009), onde ele lançou a Turma do Karas, cuja série já vendeu cerca de 5 milhões de exemplares. “O livro foi escrito como uma metáfora para a ditadura do cala boca, época em que trabalhei como jornalista e sofria a apreensão constante de ter meus textos censurados”, revela.

Em toda a sua carreira são mais de 20 milhões de exemplares vendidos, sendo um dos poucos autores no Brasil que consegue viver, e viver bem, da literatura. Só este número já confere a Pedro Bandeira autoridade para falar sobre o universo infantojuvenil, pois ele conseguiu captar como poucos o universo das crianças e adolescentes. “Eu não gosto de dizer que falo a linguagem dos jovens, porque as gírias mudam, o que eu faço é conseguir retratar a visão dos jovens sobre determinados temas, que são universais”, explica.

Normalmente, a adolescência é a época em que fazemos as grandes amizades, aquelas que nos acompanham por toda a vida. E este é o tema principal da Turma dos Karas. Na composição dos personagens, o autor conta que deu a cada um deles qualidades que, uma vez reunidas, formariam uma criança perfeita. E o segredo da força que a turma possui é justamente o fato de trabalharem em equipe. “A criança perfeita teria a seriedade e liderança de Miguel, seria inteligente como o Crânio, charmoso como o Cadú, engraçado como Chumbinho e atlético como a Magrí”, descreve Pedro Bandeira.

A nova aventura que o autor está planejando contaria como os amigos se conheceram, ressaltando as qualidades de cada um deles, que estariam sendo observadas por Miguel, o líder da turma. Segundo o escritor, alguns desses encontros já estão definidos e outros ainda precisam ser melhorados. O primeiro contato de Miguel com Magrí, por exemplo, aconteceria durante uma competição de atletismo, do qual a menina sairia vencedora, mesmo estando machucada. Já o personagem Crânio desvendaria um pequeno mistério na escola, usando sua inteligência e senso de observação.

A história central, no entanto, ainda não foi definida. Isto porque o autor é muito cauteloso com suas obras, principalmente quando se trata dos Karas. “Já cheguei a cancelar um livro que estava anunciado e pronto para ser impresso, chamava-se A droga virtual, porque não estava bom. Não posso deixar ir ao mercado um livro que não esteja no mesmo padrão dos outros”, enfatiza. Por este motivo é difícil precisar quando a nova aventura chegará às livrarias. Seu último livro, A droga de Americana demorou seis anos sendo escrito.

Em um país com tantos analfabetos os livros de Pedro Bandeira são cada vez mais lidos. Segundo ele, grande parte dessas vendas se dá graças à adoção da literatura pelo MEC para as escolas. “Infelizmente, a maioria das crianças só leem os livros adotados pela escola. Os pais se esforçam para comprar para eles um tênis de marca, mas não um livro. Vivemos em uma sociedade que valoriza mais o pé do que a cabeça”, critica ele.

Rumo à fantasiaAlguns dos autores brasileiros presentes na antologia Rumo à fantasia estarão presentes na biblioteca Viriato Corrêa (Rua Sena Madureira, 298, Vila Mariana, Zona Sul – São Paulo, SP. Tel.: 5573-4017) para um bate-papo sobre a história e as várias faces do gênero fantasia, mostrar que ele é não se resume a J. K. Rowling e J. R. R. Tolkien. O evento, Fantasia: muito além dos clichês, acontece às 19h e tem como convidados os escritores Rosana Rios, Cesar Silva, Braulio Tavares e Roberto de Sousa Causo. O bate-papo também contará com a presença do ilustrador Vagner Vargas. Em seguida, às 20h, ocorre o lançamento do livro Rumo à fantasia.

Folha Online — Redação

O livro Euclides da Cunha: uma odisséia nos Trópicos, do professor norte-americano Frederic Amory, foi o vencedor do Prêmio Euclides da Cunha, da ABL (Academia Brasileira de Letras).

O prêmio foi instituído no início deste ano, como parte das celebrações do centenário da morte do escritor e acadêmico, e concede R$ 30 mil para o melhor livro, inédito ou publicado depois de 1º de janeiro de 1999, sobre a vida ou a obra de Euclides.

Euclides da Cunha: uma odisséia nos Trópicos concorreu com outros 29 trabalhos, que trabalharam os temas fundamentais de Os sertões: a colisão entre o litoral e o sertão, (a chamada “civilização” e a chamada “barbárie”), o messianismo, a viagem pela Amazônia para a conquista do “último Oeste”, os tratados e desafios diplomáticos sob a regência do Barão do Rio-Branco, a Campanha de Canudos, a superioridade de raças, a arte militar, as feições antropológicas e psicológicas do povo brasileiro,

O livro do professor Amory, que morreu em fevereiro deste ano, foi considerado “de excepcional importância para a nossa cultura e uma contribuição inestimável à comemoração do centenário de morte de Euclides da Cunha por esta Academia e pelo Brasil”.

Folha Online — France Presse

Um dos prêmios literários mais importantes da França, o Medicis de romance, foi atribuído ao escritor canadense de origem haitiana Dany Laferrière por L’énigme du retour, da editora Grasset.

O vencedor foi anunciado hoje em Paris pelo júri da premiação.

Nascido em 1953 em Porto Príncipe, Laferrière vive entre Montreal, no Canadá, e Miami, nos Estados Unidos.

Além de escrever romances, o autor ainda publica ensaios, roteiros e é também cineasta.

O escritor não possui livros publicados no Brasil.

Júlio VerneNesta quarta-feira, 4/11, às 22h, a TV Cultura exibe o documentário A extraordinária viagem de Júlio Verne no programa Cultura Mundo.

Júlio Verne nasceu em 1828, na cidade de Nante, França. Apaixonado por descobertas científicas, o escritor entrega ao editor Hetzel, em 1863, os manuscritos de Cinco semanas em um balão. Verne assina um contrato por vinte anos. O escritor estaria obrigado a escrever dois livros por ano. O resultado foi uma vastíssima bibliografia, que serviu de inspiração para os escritores de ficção científica do século XX. Em 1905, com 77 anos, Júlio Verne veio a falecer.

Ocaso

Ocaso: contos de entreluzOCASO
Contos de entreluz
Ricardo Timm de Souza
88 páginas
AGE, 2009

 

Ocaso é o momento em que o sol se põe, quando “o choque entre as luzes moribundas do dia e os focos nascentes das luzes da noite contribui para a criação de uma atmosfera indefinível, sem certezas prévias”. Em sentido figurado, é algo que caminha para o fim, ruína ou morte. Para Ricardo Timm de Souza, autor dos vinte contos que compõem a antologia, o ocaso é também um momento de descobertas e revelações.

Assim como o menino do conto “O coelho”, o autor vai compondo a sua obra com muito cuidado. “A paisagem vai tomando forma. Com cuidado infinito, cada detalhe na proporção exata: uma falha poderia fatal.” As palavras são criteriosamente escolhidas, cada uma delas tem o seu lugar, o encaixe exato. Não pode haver ruídos nas frases, do contrário a narrativa não consegue envolver o leitor. As descrições não devem cansar quem lê as histórias, mas ajudar a construir os cenários em que serão revelado algo que se esconde por trás das preocupações e frustrações do cotidiano, geralmente uma imagem de intensa beleza.

Nas histórias de Ocaso uma gata encontra o merecido descanso depois de uma vida de abandono (“Grubiru”), um pequeno circo de animais domésticos amestrados traz de volta as cores a uma pequena vila “onde apenas a poeira era onipresente” (“O circo”), manchas estranhas mostram o temor do desconhecido e a incrível capacidade de adaptação que a humanidade possui (“Kik”), os excluídos e marginalizados encontram um momento de celebração e alegria (“Festa”), a ida até a caixa de correio se transforma em aventura (“A carta”) e um menino é um dos protagonistas de uma cena comovente entre os apressados passageiros do metrô (“Pássaro no metrô”).

Os momentos de magia também se fazem presentes na obra. Mais precisamente em dois contos. Quando o sol está se pondo, os corredores de um hotel se transformam em um labirinto e seus funcionários se tornam seres encantados (“O hotel”). Um menino tem um breve encontro com um ser jurássico e tido como extinto (“Dinossauro no lago”).

No conto “A retirada”, o dilúvio bíblico ganha uma nova dimensão, somente as crianças e os animais são poupados. Em “A rua”, o dia e a noite fazem parte de um ciclo, assim como a vida e a morte. Enquanto os trabalhadores das fábricas e lojas se retiram para o descanso de mais um dia de trabalho, os noctívagos vão aos bares em busca de “promessas e virtudes etílicas”. Nessa cidade onde casarões e veículos abandonados vivem nas sombras, “o cemitério e o jardim da infância se encontram e se entrecruzam na humanidade do tempo”.

Apesar das poucas páginas, o livro não é para ser lido em uma única sentada. O leitor deve se deixar envolver pela prosa do autor, que é agradável de ler, e ir descobrindo as imagens que são reveladas apenas com o declínio das luzes. Para aqueles que gostam da releitura, novas descobertas poderão ser feitas.

A organização do concurso literário FC do B divulgou o resultado. O concurso tem como objetivo promover a literatura através do incentivo aos escritores, além da difusão e renovação da ficção científica brasileira. Dos 284 trabalhos recebidos, foram escolhidos os seguintes:

  • Betes! – Alexandre Lobão
  • A necronauta – Alexandre Veloso de abreu
  • Mnemosine – Alícia Azevedo
  • Nano – Anderson Santos
  • A missão – Tom Azevedo
  • Realidade 2.0 – Antonio Velasko
  • Just watching – Bruno Nogueira
  • A Torre Kireru – Carlos Abreu
  • Linguístrix – cK
  • Maldito escocês – Dalton Lucas C.de Almeida
  • Sob a terceira órbita – Davi M.Gonzales
  • Fantasma transplantado – Alliah
  • Sine Wave – Duanne Ribeiro
  • Maunder Minimum – Eduardo de Paula Nascimento
  • A dimensão dos espíritos – Felipe Ribas
  • A segunda vida de Lance Armstrong – Augusto Guimarães
  • Cemitério russo – Henry Alfred Bugalho
  • O futuro é o passado – Hugo Vera
  • Simbiose – Jean Canesqui
  • Ah, insensato coração – João Paulo Vaz
  • Faces – Maria Helena Bandeira
  • A estrela da manhã – Nelson Salles
  • Ultimato – Dudu Torres
  • Bóson de Higgs – Sheilla Liz
  • Condenado em Limax IV – Ubiratan Peleteiro
  • Projeto Ária – Leona Volpe

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